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Remissão Radical do câncer sem quimioterapia nem radioterapia.


Sempre quis saber desses casos pois sei que existem aos milhares. Aqui mesmo nos comentários desse blog tem inúmeros casos de remisão. Indico esse livro. Um escrito de coragem e força pra todas nós.

    A História de John Em 1999, com 50 anos, John estava numa situação financeira extremamente stressante depois de passar por um divórcio longo e difícil. Para completar este cenário, o seu nível sanguíneo de antigénio específico da próstata (PSA) estava bastante elevado, o que preocupava deveras o seu médico. Uma biopsia confirmou que John tinha mesmo cancro da próstata (com uma classificação de Gleason de 5 [3+2]), uma descoberta que era compreensivelmente assustadora para ele. Por isso, quando o médico lhe recomendou que fizesse uma prostectomia radical, em que toda a próstata é removida cirurgicamente, John concordou de imediato. 

— Foi do género: «Tirem-na já. Quer dizer, amanhã!» — lembra ele. 
— Estava morto de medo. 

      Depois de uma cirurgia bem-sucedida, o PSA de John desceu para ní- veis quase indetetáveis e, por isso, não foi precisa terapia hormonal ou radioterapia adicional. Aliviado, John gozou de quase seis anos sem cancro, embora tivesse problemas diários com os efeitos secundários da cirurgia, que lhe afetavam as funções urinária e sexual. Durante aqueles seis anos, os seus testes de PSA de rotina apresentavam níveis muito baixos ano após ano, o que fazia sentido, dado que o cancro tinha supostamente estado limitado à próstata — pelo menos de acordo com o que os seus médicos lhe tinham dito — e a próstata já lá não estava. (Nota: Depois de a próstata de um homem lhe ter sido completamente tirada, pode ainda ter níveis muito baixos de PSA no sangue, causados por células benignas residuais.) Tudo parecia estar bem — exceto os efeitos secundários, claro — até 2005, quando os níveis de PSA de John começaram a subir rapidamente, indicando que algumas células cancerígenas da próstata se tinham deslocado para fora da próstata num determinado momento antes da cirurgia e estavam agora ativas no seu corpo.
   Como John estava perante um cancro da próstata recorrente, o seu mé- dico mandou-o fazer quimioterapia e radioterapia, tendo ambas acarretado efeitos secundários muito desagradáveis. O tratamento baixou o PSA para um nível seguro enquanto o fazia, mas alguns meses depois de acabar ambas as terapias o PSA começou a subir outra vez acima do nível seguro. Os seus médicos disseram-lhe que teria de voltar à terapia hormonal e que, se o cancro formasse um tumor metastático noutra parte do corpo, também teria de começar a fazer quimioterapia. Para John, esta notícia tinha o sabor de uma sentença de morte lenta. Temia voltar à terapia hormonal e ter de sofrer os seus penosos efeitos secundários, e o facto de o PSA ter subido assim que o tratamento acabou fazia-o sentir que nunca se veria livre daquela doença:

 Fui a uma livraria porque me lembrei de ver lá um livro sobre como morremos. Queria perceber como o cancro da próstata progride e como acabava por se morrer dele. Em vez disso, encontrei o livro de Patrick Quillin sobre como vencer o cancro através da alimentação. Por isso, pensei: «Vou experimentar», percebe? Assim, depois de ler o livro, aprendi que as células do cancro são metabolizadores permanentes de glucose — é isso que ele lhes chama —, o que quer dizer que se alimentam de açúcar. Por isso, eliminei imediatamente o açúcar da minha vida. Ponto final. Sintomas de abstinência… Foram precisas cerca de duas semanas para ultrapassar o desejo de açúcar e depois fui fazer outro teste de PSA — e notei que tinha começado a descer. 

      Assim começou a experiência científica pessoal de John para salvar a sua vida. Adiou a terapia hormonal recomendada para experimentar a mudança dietética, e nos seis meses seguintes registou cuidadosamente num diário tudo o que comia, procurando seguir as inúmeras recomendações do livro ao mesmo tempo que lia todos os artigos conceituados que podia. Tal como Ginni, John não conhecia nenhum médico integrativo nem nutricionista oncológico com quem trabalhar. Teve de ser ele a encontrar o seu próprio plano integrativo. E foi o que fez depois de uma pesquisa exaustiva. Decidiu fazer o teste aos níveis de PSA com uma frequência trimestral, que é o tempo normal de espera entre testes de PSA. O que descobriu chocou-o: o PSA parecia subir e descer conforme o que comia e bebia nos três meses anteriores. Ele explica por que pensa que isso acontecia:

 A testosterona é o que «move» o cancro e o açúcar é o que o alimenta. Por isso, a teoria que desenvolvi é fazê-lo passar fome e deixar o meu sistema imunitário matá-lo. Tenho andado a praticar isto e o que descobri — da maneira mais difícil — é que alguns alimentos contribuem para a subida do meu PSA e outros não. Comecei a comer edamame — grãos de soja — porque supostamente é bom para o cancro [segundo o livro que estava a seguir]. Mas comecei a fazer isso e o PSA disparou, muito. Então, deixei os grãos de soja e o PSA caiu por ali abaixo. 

     Por outras palavras, John aprendeu cedo o que os investigadores só recentemente descobriram: que não há um tipo de cancro da mama ou da próstata, mas antes vários subtipos que reagem diferentemente a diferentes tratamentos.32 Para alguns subtipos de cancro da mama e da próstata, o edamame não OGM pode ter um efeito anticancerígeno, mas para outros subtipos pode promover o cancro.33 John notou uma descida semelhante no PSA quando espremeu os linhanos do óleo de linhaça e consumiu apenas a parte clara do óleo. Através de um processo meticuloso de tentativa e erro, confirmado pelos testes de PSA regulares, ele vem desenvolvendo uma dieta muito particular para si próprio para manter o PSA sob controlo. O seu melhor ensinamento prático é este: se não foi você próprio a produzir, cozinhar ou cozer ao vapor a sua comida, não a coma. Os únicos ado- çantes que ingere são mirtilos esmagados e Stevia (um adoçante natural feito de folhas da planta Stevia). Um livro que leu indicava que o néctar de agave seria um adoçante seguro para os doentes oncológicos, mas quando John o usou, verificou que fazia subir o PSA, excluindo-o por isso da sua alimentação.
      À medida que os meses passavam, John converteu o seu diário alimentar e os resultados do PSA num gráfico de linhas:  

Tenho um gráfico em que vocês nem acreditam. Vai para cima, para baixo, para cima, para baixo. Faço isto há anos, de três em três meses… Também cortei — muito — na carne vermelha, que soube que tem um efeito negativo no PSA. Por isso, tento limitar-me ao salmão vermelho e a peitos de frango orgânico, mas em pequenas quantidades. E ainda como um bife de vez em quando, mas não todos os dias… O problema é que a carne vermelha e os produtos lácteos anulam o sistema imunitário, pelo que li… e eu confirmo isso cada vez que bebo vinho tinto e como carne vermelha numa conferência todos os anos. Quando volto, o meu PSA dispara outra vez.

    John também eliminou todos os produtos lácteos e hidratos de carbono simples, tais como massa e pão, e descobriu que as maçãs, a beterraba, as cerejas e as uvas são demasiado açucaradas para o seu PSA. (No entanto, curiosamente, as bananas e o sumo de laranja acabado de espremer não lhe fazem mal.) Em termos de líquidos, cortou todas as bebidas açucaradas, só bebe água filtrada (osmose inversa) ou gaseificada, e limita o seu consumo de álcool ao vinho tinto. Fazer esta dieta tão rigorosa não é fácil para John, razão pela qual permite às suas papilas gustativas saborear a sua refeição favorita de bife e vinho tinto pelo menos uma vez por ano.
        Como todos os outros sobreviventes de Remissão Radical acerca de quem vai ler neste livro, John não fez apenas uma coisa (por exemplo, a mudança de regime alimentar) para tentar curar o cancro. Além disso, mudou outros aspetos da sua vida. Por exemplo, aumentou o seu regime de exercí- cio — que era já de duas a três vezes por semana — para diário e, ao fazer isto, perdeu seis quilos que nunca recuperou. Graças a uma combinação de ioga, caminhada e passeio, sente agora que nunca esteve tão em forma na sua vida. John também começou a tomar um suplemento para reforçar o seu sistema imunitário chamado ImmunoPower e a beber chá de ervas Essiac, que um amigo tinha lido que era bom para combater o cancro. Também tentou a acupuntura, que ainda faz de vez em quando. Finalmente, também fez o que pôde para gerir o stress e se manter positivo. Como ele descreve:

Acho que uma mente positiva é muito importante. A atitude, percebe? Estou decidido a não deixar esta coisa controlar-me. Eu é que a vou controlar — quer dizer, o cancro. É como se fosse uma constipação que não se vai embora. Sei que está lá, mas já não tenho medo dele… Agora é uma irritação — irrita-me [ri-se]… E quando fico stressado, faço a minha meditação ou a minha respiração. Posso livrar-me das coisas respirando… Abstrair-me.

          Embora o cerne da minha investigação seja perguntar às pessoas por que é que acham que se curaram, também pergunto aos sobreviventes se têm opinião sobre o que pode causar o cancro, ou sobre o que pode ter causado o cancro deles em particular. Quando fiz esta pergunta a John, ele respondeu imediatamente:

Acho que toda a gente tem cancro. E acho que o sistema imunitário de toda a gente o combate de forma diferente. Se a alimentação for de tal maneira que baixe o sistema imunitário, então é inevitável. O nosso organismo está sempre a lutar contra o cancro, mas chega uma altura em que ele domina o sistema imunitário. E então depende de como estiver o sistema imunitário. Se tiver um sistema imunitário fraco, não tem hipótese. E tudo o que se põe na boca afeta o nível do sistema imunitário — mais os outros fatores, sabe, exercício e tudo isso… E o problema com a nossa dieta é que tudo está carregado de açúcar, por isso estamos sempre a alimentar o cancro que toda a gente tem. Se o sistema imunitário não conseguir dar resposta, mais cedo ou mais tarde vai desenvolvê-lo.

       John continuou e disse que acha que desenvolveu cancro porque andava a comer carradas de açúcar por aquela altura e estava a sair de um período de 10 anos de intenso stress. Sente que tudo isto enfraqueceu o seu sistema imunitário. Como resultado, este simplesmente «não conseguiu dar resposta».
      Em retrospetiva, John diz que se tivesse sabido o que sabe hoje teria feito as coisas de maneira diferente. Para começar, teria tentado diagnosticar o cancro usando uma combinação de ultrassons, PSA e outras análises ao sangue, ao contrário da biopsia com agulha. Além disso, nunca teria concordado com a cirurgia que lhe retirou a próstata, porque tem causado graves e permanentes efeitos secundários tanto na sua função urinária (incontinência ocasional) como na função sexual (incapacidade para ter ereção sem fármacos ou injeções). Também nunca teria concordado com a radioterapia ou a terapia hormonal, que sente que foram agressivas para o seu sistema imunitário. Em vez desses tratamentos, teria tentado controlar o PSA desde início através de mudanças dietéticas, suplementos de reforço imunitário, exercício regular e dando passos conscientes para reduzir o stress na sua vida. Na opinião de John:

É muito simples. O açúcar alimenta o cancro. A testosterona põe-no em movimento. E o sistema imunitário controla-o — ou mata-o. Por isso, tem que se reforçar o sistema imunitário e baixar o açúcar. É tão simples quanto isso.

      Quando me disse isto, notei alguma resignação no tom de John, por isso perguntei-lhe se estava a gostar da nova dieta que estava a fazer. Respondeu-me de imediato:

Detesto-a! Não gosto de não poder comer o que quero. Detesto não poder ir a festas com os amigos como gostaria. É um regime constante e diário que detesto. Na verdade, uso anéis com caveiras para me lembrar que se não for disciplinado ele mata-me… Tenho uma amiga simpática que gosta de viajar e eu gosto de viajar com ela. Por isso, quero andar por cá uns tempos… Tem de se ter qualquer coisa pela qual viver.

   Já lá vão mais de 13 anos desde que John teve conhecimento do seu primeiro diagnóstico de cancro da próstata e mais de sete desde a sua recorrência e o começo da sua nova dieta. De vez em quando ainda me envia um e-mail para me pôr a par do seu último nível de PSA, e tenho sempre de sorrir quando penso nele a odiar a dieta, mas a gostar ainda mais de viver. 

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