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A História de Ginni


      Ginni tinha 60 anos quando encontrou um nódulo no peito. Nessa altura, em 2007, trabalhava dedicadamente no seu emprego de sempre e gozava uma fase mais calma da sua vida com o marido que amava. Calma até ao momento em que descobriu que tinha cancro da mama. Nem a radiografia nem a ressonância magnética conseguiam adequadamente diagnosticar o seu nódulo. A biopsia finalmente confirmou que era, de facto, cancro da mama. O seu médico marcou de imediato uma lumpectomia, que é uma cirurgia simples para retirar apenas o tumor e não toda a mama, mas infelizmente ele não obteve «margens livres», o que significa que não conseguiu retirar todo o tumor durante a cirurgia. Além disso, alguns dos nódulos linfá- ticos de Ginni deram positivo, o que queria dizer que tinha cancro de grau 3 (de 4 possíveis). O seu médico queria que fizesse uma segunda cirurgia para retirar todo o tumor e também remover muitos dos nódulos linfáticos. Disse-lhe que, depois da segunda cirurgia, ela precisaria de quimioterapia intensiva seguida de radioterapia. E depois deu-lhe a pior notícia de todas: o seu prognóstico. No seu tom calmo e prosaico, Ginni recorda aquele momento fatídico: 

O médico disse-me: 
— Depois de fazer esta [segunda] cirurgia, e depois da quimioterapia e radioterapia, podemos dar-lhe mais cinco anos de vida. E eu pensei: 
— Quero viver mais do que cinco anos!… Por isso, quando o médico disse aquilo, fiquei zangada. Não lhe disse nada, mas fiquei zangada e soube logo ali que não ia fazê-la porque já tinha falado com pessoas [o meu amigo Ron] e já tinha informação [sobre opções de tratamento alternativo]. Assim, saí de lá com a atitude de: Isto não me vai vencer. Vou conseguir. 

      Assim, com toda a coragem que conseguiu reunir, Ginni recusou calmamente a segunda cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia, apesar do cancro que ainda estava no seu peito e nos nódulos linfáticos. A maior parte dos doentes oncológicos teria demasiado medo de recusar o tratamento recomendado como fez Ginni, mas, na verdade, ela tinha mais medo da segunda cirurgia porque tinha lido que retirar nódulos linfáticos podia resultar em linfedema, que é um inchaço permanente e doloroso dos braços e das pernas. Mais importante, o seu amigo Ron tinha recentemente curado um cancro da próstata mudando radicalmente a sua alimentação (e adiando todos os tratamentos médicos convencionais). Por isso, Ginni tinha pelo menos um exemplo que podia seguir. Começou a ler o mais que podia sobre o assunto e ficou um pouco perplexa com a enorme quantidade de informação que encontrou. De facto, ficou tão confusa sobre o que devia e não devia comer que simplesmente deixou de comer durante uns tempos: 

Perdi 25 quilos em dois meses porque durante uns tempos nem sequer me atrevia a comer. Os livros diziam que os nossos hábitos alimentares — certas coisas que se comem — são piores para o cancro. Por isso, tinha medo de o alimentar. Assim, deixei de comer por uns tempos. E depois, aos poucos, comecei a comer a comida certa. Mas como o sistema não está habituado, ficamos um pouco doentes. É uma grande mudança no nosso corpo. Mas depois de nos habituarmos a comer daquela maneira, aquela comida sabe bem e a outra comida já não sabe lá muito bem — a comida processada.

   Antes de discutir com Ginni quais eram as comidas «certas» na sua opinião, quis ouvir mais sobre como e por que é que ela tinha deixado de comer. Neste ponto da minha investigação, já tinha conhecido bastantes sobreviventes radicais e terapeutas alternativos que tinham usado o jejum como parte dos seus tratamentos do cancro. Contudo, parece que Ginni tinha feito jejum acidentalmente.

 — Foi um género de um jejum? 
— perguntei. Ela respondeu:

 — Bem, sim. Quase. Porque eu tinha medo de comer o que fazia mal. E depois, aos poucos, comecei a comer alface, e depois juntei algumas outras coisas. Não sabia o que devia comer, mas depois falei mais com o Ron e fiquei com algumas ideias de como fazer isto, porque é algo que nos é totalmente desconhecido, sabe?… Quase foi bom deixar [de comer] e depois começar outra vez. Sim, perdi muito peso, mas já o recuperei [três anos depois]. 

Perder muito peso durante um jejum é muito comum e costuma ser muito saudável e seguro, desde que não se seja excessivamente magro, e Ginni não era. 

      Como é típico quando se quebra o jejum, Ginni começou por comer alimentos fáceis de digerir, tais como alface. Depois, começou a juntar outros alimentos e bebidas — que ela considerava serem os certos — à sua dieta. Baseou as suas decisões nos muitos livros que andava a ler, tais como Beating Cancer with Nutrition, de Patrick Quillin, e Cooking the Whole Foods de Christina Pirello. Lembre-se de que Ginni estava a viver numa zona rural, sem especialistas de medicina integrativa por perto. Por isso, ela teve de fazer toda a pesquisa sozinha.

 Comecei por não comer açúcar, farinha e produtos lácteos. Era sobretudo vegetais, fruta, e nada de carne vermelha — um pouco de frango aqui e ali, ou peixe, mas não fazia uma dieta constante com isso. Eram sobretudo coisas verdes. E fazer sumo de couve é muito importante, por isso foi o que fiz.
    Ginni também comprou um watercooler para casa e começou a beber grandes quantidades de água engarrafada em vez de água da torneira. Isto não só era melhor para a sua saúde, segundo o que tinha lido sobre a água da torneira com cloro, mas também sabia melhor, uma vez que a sua água da torneira era muito «dura», tendo um alto teor de mineral. Também eliminou todos os refrigerantes, leite e álcool, e só bebia sumo feito por ela.
       A acrescentar a estas mudanças dietéticas, ela comprava só alimentos orgânicos, se possível, e só comprava alimentos congelados quando não havia frescos. A decisão de comer alimentos orgânicos foi intencional porque Ginni tinha lido que os químicos e os pesticidas podiam ser a primeira causa do seu cancro. Também deixou de comer pão branco e de trigo para comer pão com grãos germinados, e começou a tomar suplementos de vitaminas para o peito na loja de alimentos saudáveis da sua zona.
        Como todos os outros sobreviventes de Remissão Radical que estudo, Ginni não fez apenas uma coisa para melhorar; ela utilizou os nove fatores- -chave no seu processo de cura. Por isso, além de mudar a sua dieta radicalmente, ela libertou o stress, andando 30 a 40 minutos por dia, o que era um hábito novo para ela. Na sua opinião, o stress é prejudicial para o sistema imunitário e, por isso, decidiu expulsá-lo do seu corpo. Ela também ficou incrivelmente próxima da sua irmã nesta altura e beneficiou grandemente do apoio adicional que a irmã lhe dava. Quando perguntei a Ginni se tinha alguma crença e/ou prática durante este tempo, ela respondeu:

 Bem, confia-se em Deus e confia-se que Ele nos deu este sistema imunitário para nos livrarmos das doenças. Por isso, se estiver ao nível que deve estar, o sistema imunitário pode fazer toda a espécie de coisas. Mas se o sistema imunitário estiver mal, então as doenças levam a melhor. E eu acreditava nisso… E vamos à igreja todos os domingos, e até penso que fiquei com mais fé depois de ter cancro. É como se pensasse mais nisso.

    Durante um ano, Ginni manteve rigorosamente o seu regime alimentar de comer alimentos integrais (sobretudo vegetais), beber água engarrafada, tomar suplementos de vitaminas e caminhar todos os dias — até que um dia deixou de sentir o nódulo. Imediatamente foi ao seu médico e ele também não o sentia. Decidiram não fazer uma mamografia, uma vez que a primeira também não tinha conseguido detetar o nódulo inicialmente (apenas a biopsia o fizera), e ele aconselhou Ginni a continuar a monitorizar-se a si própria mensalmente. Já passaram mais de cinco anos desde o seu diagnóstico inicial. A sua saúde está ótima, o nódulo desapareceu e não encontrou mais nenhum nódulo depois disso.
     Devido ao medo subjacente de que o cancro possa voltar um dia, Ginni mantém a mesma dieta empenhadamente. Não tem sido muito difícil para ela, contudo, porque agora fica maldisposta sempre que come alguma da sua comida «antiga», como massa ou fritos. As suas papilas gustativas também mudaram permanentemente: agora sente mesmo vontade de vegetais e frutas, e os alimentos refinados já não são apelativos para ela. Em geral, a sua vida reorganizou-se numa normalidade, em que os vegetais reinam e os alimentos refinados são relíquias do passado. Quando agradeci a Ginni por partilhar a sua história maravilhosa comigo, ela respondeu:

 Fico contente por a partilhar porque acho que é uma coisa notável e gostaria que mais pessoas tentassem uma coisa diferente. Mas as pessoas têm medo porque a quimioterapia e a radioterapia são as únicas coisas que conhecem. Não compreendem como, por exemplo, mudar a dieta pode ser benéfico. 

      Segundo Ginni, as mudanças que operou resultaram, no seu caso, porque ela estava a dar ao seu corpo os alimentos saudáveis e livres de pesticidas, e a água de que precisava para o seu sistema imunitário operar em condições ótimas e, assim, remover as células cancerígenas. dali, um homem chamado John lidava com uma situação semelhante à de Ginni. A diferença é que John primeiro tentou todos os tratamentos convencionais que os seus médicos recomendaram para o seu cancro da próstata em estado avançado. Infelizmente, apesar de todos os tratamentos, o cancro voltou — e foi então que começou a procurar outras opções. 

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