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REVISTA CASSI FAMILIA: Piada ou engodo?



Chegou as minhas mãos a revista “Cassi Família”, Nº 13 setembro/outubro de 2010. Por ironia do destino, iniciei a leitura na Clínica Lucilo Ávila, no Recife, enquanto aguardava a autorização – que foi negada - do plano de saúde Cassi para a realização de uma ressonância magnética. Na capa da revista um aperto de mãos de homens com saúde naturalmente. Uma mão representa a Cassi e a outra o associado que paga o plano, mas não precisa dele porque goza de saúde, só de vez em quando para um check-up-zinho besta. Ambos estão felizes, o que o associado não sabe é que esse aperto de mão desfaz-se se ele adoecer. O plano é de assistência á saúde e não a doença, essa é a diferença. Na contra capa a foto do presidente, Hayton Jurema da Rocha, sorridente com os associados. Na página seguinte: “Cassi faz doações para comemorar dia das crianças”. Às vezes é bom uma ação de caridade nem que seja com a intenção de figurar nas páginas da revista para os associados. Lido até aí, uma funcionaria da clínica me chama e informa que a Cassi não autorizou o procedimento, que era uma ressonância magnética da coluna cervical e torácica com contraste. Não autorizou porque havia uma numeração insignificante na guia, além de uma incoerência: se a paciente teve câncer de mama por que a solicitação para exame na coluna? Remarquei o exame para dali à três dias porque tive de respeitar quem estava na minha frente. Fui ao consultório médico contei a médica o ocorrido e então saí com nova guia sem numeração e que expressava bem claro: câncer de mama com metástase óssea para coluna cervical e torácica.

Fiquei pensando: uma empresa organizada, séria e competente funciona diferente da Cassi. Quando acionada por telefone de imediato pedem o número da carteira, o número propõe acesso à página no computador da empresa do cliente/paciente, que deve ser atualizada a cada nova autorização de procedimento. No meu caso, as anotações deveriam informar que sou paciente de CID 50 - câncer de mama com metástase óssea para a coluna cervical e torácica - em tratamento de acompanhamento com realização de exames periódicos. Os últimos exames realizados também constam na minha página. Nesse caso seria fácil averiguar que eu tive metástase para a coluna por isso a solicitação da ressonância com contraste e que a última foi realizada há um ano. Tudo correto. Mas a Empresa é desorganizada. Infelizmente, muito embora queira passar outra imagem para a população.
Bom mas, passado os três dias estou eu mais uma vez na clínica com a revista da Cassi em punho, esperando a mesma autorização para a realização da ressonância magnética. Segui com minha leituras certa que seria chamada em instantes. Li a matéria seguinte: “Cassi implanta ouvidoria”, Para que serve e como funciona? A matéria diz que funciona mesmo, pois narra vários depoimentos, em um deles seu Argemiro diz que, “em uma semana o dinheiro foi creditado em minha conta. Meu contato com a ouvidoria pela internet foi muito fácil, à resposta ao meu problema foi dada muito rapidamente”. Conclui que ou seu Argemiro é um banqueiro ou acionista de uma grande empresa ou um grande mentiroso.
Na próxima matéria a cassi realiza pesquisa de satisfação com participantes e publica apenas o que lhe é conveniente. A matéria seguinte é a mais absurda do século XX a início do XXI: “Cassi sempre disponível para você”, e fala do atendimento. Eu me espanto e interrogo: MEU DEUS!!! Será a Cassi mesmo o meu plano??? É o pior atendimento que já vi na minha quase meia idade. Mas antes de virar a página seguinte sou informada mais uma vez que foi negado a autorização da Cassi para a realização do exame porque faltou um relatório esclarecendo porque eu precisava daquele exame. Mais uma vez remarco novo exame para três dias após porque tive que respeitar quem estava na frente. Volto ao consultório da médica, pego um relatório informando o que querem. Compareço no dia remarcado para o exame em jejum, retiro mais uma vez a revista Cassi da bolsa e retomo a leitura na sala, enquanto aguardo a autorização para enfim realizar o exame. Abro a revista e retomo a leitura de onde parei e leio que, muitos portadores do HIV não sabem que estão infectados, e a Cassi dispõe de assistência farmacêutica e remédio gratuito, não só para esses casos, mas para tuberculose etc. Esse é um assunto que nem quero comentar. Cada um que tem boca diz o que quer, esse caso, quem tem revista escreve o que quer.

Gente é uma batalha judicial. A Cassi é um caso de polícia, - polícia não que essa também não vale nada nesse país - mas é um inferno Dante. Bom, mas antes de passar a página para continuar a leitura da revista, a moça me chama e informa que foi negado mais uma vez. A Cassi não autorizou o exame alegando que o relatório precisa ser mais detalhado. Faço todo o procedimento de novo e meu exame é remarcado para dois dias depois. Mais uma vez compareço a Clìnica de posse de um relatório minuciosamente detalhado e dos laudos dos últimos exames de ressonância da coluna cervical e torácica realizados em 2009 dou entrada no pedido de autorização. Sento na sala de espera, remexo minha bolsa e retomo a leitura da revista Cassi. A matéria seguinte fala dos cuidados na velhice – meu Deus cheguei a me arrepiar. Graças a Deus, fui abençoada com o câncer, sei que não vou envelhecer nessa miséria de país, com os planos de assistência a saúde todos a semelhança um dos outro. Espero não chegar a velhice, espero que esse câncer me salve a qualquer momento. A última matéria: Doação de vida, eu não pude ler porque chegou a minha vez e pela quarta vez a realização do meu exame foi negada pela Cassi, alegando os médicos peritos da Cassi, que não enxergaram que se tratava da coluna cervical e torácica e por não enxergarem bem, não poderiam autorizar o exame.

O exame de ressonância magnética não é nada confortável. Fica-se imóvel dentro uma maquina com a veia puncionada para receber o contraste, uma substancia perigosa para a saúde, tão perigosa que temos de assinar um termo livrando a clínica de qualquer responsabilidade no caso de óbito. A espera do resultado também não é uma situação muito confortável porque nos põe na perspectiva, mas a Cassi quer superar e ser a pior parte. O exame é realizado com quatro horas de jejum e preciso dizer que em todas as quatro vezes que estive na clínica a espera não foi menos de duas horas.
Fui até o juizado de pequenas causas mais próximo, o Juizado Especial Civil da Capital – Campus da Unicap e registrei queixa pedindo tutela antecipada para a realização do exame e indenização por danos morais. Na manhã de hoje, dia 06 de novembro a Clínica informou que a Cassi havia ligado autorizando a realização do meu exame. Compareci mais uma vez a clínica na certeza de realizar. Remexi minha bolsa, peguei a revista de mentiras Cassi, lasquei ao meio e rumei na lixeira.

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