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A consciencialização social da MORTE


Elisabeth Kübler-Ross, médica psiquiatra de origem suíça, naturalizada americana, que cedo se interessou pelo trabalho junto dos que se encontram no fim da vida, iniciando as suas investigações nos finais dos anos sessenta do século passado. Desde essa altura, para além do acompanhamento de várias centenas de pessoas no fim da vida, produziu mais de uma dezena de obras dedicadas à reflexão sobre a morte e o acompanhamento no fim da vida. A sua perspectiva conduz-nos à necessidade de integrarmos a morte na vida. Ela foi e é uma legítima defensora da “queda do muro” da morte que a sociedade, mesmo a atual, ainda coloca à frente de qualquer pessoa. O escamoteamento da morte na vida social, o lugar escondido que lhe está reservado, conduziu à situação atual de a pessoa não conseguir lidar de uma forma “natural” com o fim da vida. Como nos afirma Laura Santos a este propósito:


[...] Dificilmente uma sociedade que ostraciza a

ideia da morte aprende a cuidar e respeitar a suas pessoas idosas

ou a entender e respeitar a dor do luto sentida por alguém que

perdeu uma pessoa amiga ou familiar (Santos, 2003: 26).


Ora, Kübler-Ross lutou com veemência contra este problema social, e ao longo da sua obra, encontra-se bem patente o alerta para uma maior consciencialização social da morte. O grande mérito de Kübler-Ross foi romper com a conspiração de silencio em redor da morte, que estava instalada no meio social em geral e no seio dos profissionais de saúde em particular. Para ela, qualquer aspecto importante da vida das pessoas deveria ser objecto de atenção e discussão, quer se tratasse do nascimento, da doença ou da morte. Só desse modo seria mais fácil, ou menos penoso, lidar com muitos dos problemas que as pessoas apresentam quando perdem alguém ou são vítimas de doença mortal, sendo encarados como fazendo parte integrante da vida.

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