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Eu, o MST, a minha cirurgia: BRASIL

O MST


Na data marcada para a realização da minha cirurgia tomei todas as providencias para que desse errado. Fizemos tudo dentro dos termos e horários previstos, mas, depois que percorremos 40 dos 110 quilômetros de pista dupla que separa Feira de Salvador, os carros eram obrigados a seguir uma marcha lenta, como um cortejo fúnebre. Não sabíamos o que nos aguardava a frente, imaginávamos um acidente. Ônibus, carretas e carros pequenos enfileirados. Percorremos cinqüenta quilômetros em duas hora e vinte, aí avistamos ao longe, o lado direito da pista tomado pelas “cabeças Vermelhos”. Bira lembrou logo do massacre dos sem terras em Eldorado dos Carajás, que tornou-se um marco histórico na luta dos bandidos e marginais por terra. A pista dupla ia afunilando e formando apenas uma, na outra eles marchavam em fila, todos armados com foices, facas, facões, e pedaços de paus. Fiquei indignada quando vi a polícia e um caminhão pipa. Bira explicou que o caminhão era da prefeitura e estava ali como apoio para molhar a pista e eles também, uma refrescagem, como no carnaval. E a polícia para protegê-los de nós, cidadãos que não tomamos terras a força. 

 Não consigo entender essa pátria nossa amada. Não era possível meu Deus. Eram muitos, alguns levavam faixas, mais na frente encontramos um trio elétrico. Marchavam sorrindo felizes. Acenei para alguns, Bira me reclamou, recebi panfletos de outro que dizia uma grande contradição assim escrito

“O MST estará se mobilizando em todo o país nesta semana que antecede o dia 17, data do massacre dos sem terra, numa grande jornada contra a violência e a impunidade no campo e, para dizer que a vida que foi ceifada daqueles companheiros, não poderá ter sido em vão”. 

As horas se passavam e podia comprometer a minha cirurgia mas, os absurdos eram tantos que até esqueci deste fato. Como reivindicar não violência se eles estavam armados? O que me deixou mais indignada ainda foi a presença da Polícia Federal. Perguntei a um dele porque a polícia estava ali, ele respondeu esboçando um sorriso que deixou à amostra a dentadura falha e suja, “pra proteger noisi”. Que basurdo! 

Terminada o percurso, no fim da marcha, olha a polícia ali de novo. Cheguei atrasados 40 minutos para a realização da cirurgia. Os funcionários não registraram a minha chegada nem avisaram ao médico que foi realizando outras cirurgias agendadas também, para aquele dia. Eu já não suportava a sede e a fome, as enfermeiras diziam que o médico estava numa emergência, mas não estava não. Duas horas da tarde a minha acompanhante, Maria José, pediu as enfermeiras que me pusesse no soro para aliviar a sede e a fome. Elas disseram que ia descer o prontuário para o médico requisitar. Três horas depois, e a solicitação do médico não chegava, comecei a chorar, fui até a secretaria do setor que eu estava internada, as enfermeiras disseram que ainda iam procurar o meu prontuário. Eles, os prontuários, estavam bem a minha frente e numa crise de choro e exaustão, joguei todos os prontuários violentamente no chão, juntamente com o telefone e um quadro espelhado, tudo o que ia encontrando pela frente, as enfermeiras todas com os olhos arregalados tomaram imediatamente as providencias para ministrar o soro e dizer ao médico o que se passava ele, após a minha cirurgia as repreendeu severamente na minha frente, por não terem avisado da minha chegada e disse que o caso ia ser levado a direção e que os prejuízos ficariam por conta delas. A cirurgia que seria realizada às dez horas da manhã acabou sendo às 17.
O procedimento cirúrgico foi para colocar um expansor na mama direita.

Expansor é este objeto na área verde. A idéia é a de que o expansor seja inflado gradualmente ao longo de meses por injeções repetidas de liquido (como vc pode ver na gravura) para esticar a pele, como a barriga de uma mãe sendo distendida pelo crescimento do bebe. Quando esse processo se completa, o expansor é removido (outra cirurgia) e substituído por uma prótese permanente. Essas injeções de soro são ministradas por uma válvula que o expansor possui, essa mangueirinha que vc esta vendo na imagem de fundo verde, ela fica debaixo de sua pele, num local onde meu médico facilmente a identificará, posso senti-la ao tocar. Sei que depois de tudo isso vou ficar muito legal.

Por esse post recebi este um comentário e como mudei de blog colei ele aqui e ficou com meu nome e o da Maria Carmo que escreveu o comentário.





Comentários

  1. Maria Carmo
    Helena,solidarizo-me a você em parte. Com o tratamento dado a você no Hospital e que bom que o Dr as repreendeu a tempo.Parece que nos Hospitais nao ha Humanidade e elas fazem o que querem. Agora, por favor, reconheça que o MST é tem uma historia e sua importância social. Se eles gritam, é porque lhes foi negado algum direito, como fizeram com você no Hospital. De repente, você teve de virar a mesa e jogar tudo no chao! Naquele momento você teve motivos de sobra pra se revoltar, nao teve? Os integrantes do MST também têm motivos! Por isso o médico ficou de teu lado, pois ele, pelo menos foi humano e justo! Ninguém sai àas ruas impunemente! So no Carnaval que se sai àas ruas pra se divertir! Ficou claro sua posiçao direitista e contraria à classe oprimida e isso precisa ser reparado! Precisamos ser mais humanos, mais sociais e mais justos, pois um dia sobra para nos mesmos! So que a bomba apenas doi, quando esta em nossa mao, né? Na mao dos outros para nos é refresco! pense nisso,ok!!

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  2. Helena
    Com todo o respeito,uma coisa não tem nada a ver com a outra.A atitude de Maria do Carmo,foi mais do que justa. Quanto ao MST,a avaliação não é feita deste modo,pois ,você precisa entender que o assunto não é tão simples assim ,mas para vc tentar entender, digamos que alguém venha lhe querer tirar a casa em que vc mora ou digamos,o carro que vc tem,então, como é que fica? Outra coisa , a grande maioria deles querem vender o que conquistam,sabe para quê? Se vc não sabe procure se informar melhor. Por isto , muito cuidado com julgamentos.Aqui quem vos fala é uma simples dona de casa que detesta injustiças e principalmente corrupção,que é o que geralmente está atrás disto tudo.

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  3. Prezada anônima, durante essa minha jornada de luta contra os mádicos, o plano de saúde Cassi, Banco do Brasil, os fármacos, os juizes, o MP e as pessoas que cuidam dos doentes, tenho me decepcionado tanto que isso que esse ocorrido foi superado. Vamos viver em paz!

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